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E no final a morte - Agatha Christie

Gênero: Ficção inglesa
Sub-gênero: Romance policial
Editora: Record
Edição: 1986
Tradução: Maria Isabel Garcia
Nº de páginas: 240


Minha história com Agatha Christie começou desde a infância, quando via minha mãe lendo os romances e geralmente descobrindo quem eram os assassinos antes do final da história. Essas lembranças tem um valor sentimental para mim e talvez por isso esse tenha sido o contato mais antigo com literatura do qual me lembro. Com certeza tive contato com livros infantis antes, mas literatura destinada a outros públicos eu só fui conhecer a partir dos livros da Agatha Christie.
Lembro que na época ficava fascinada com as histórias, com o tema em si e nunca descobria quem eram os criminosos. Era a minha autora preferida. Com o passar do tempo, fui adquirindo todos os livros dela que pude, com o objetivo de manter todos em minha coleção. 

Eu era bem restrita com relação aos gêneros que lia. Lembro que ficava sempre em Agatha Christie, Sidney Sheldon, uma ou outra fantasia... Então por acaso, nem me lembro como, um canal literário (Tiny Little Things) apareceu na minha página inicial do YouTube e eu fui devorando quase todos os livros, de tanto que gostei. Com o tempo fui acessando outros canais e buscando pessoas que lessem coisas diferentes das que eu lia. Isso me ajudou muito a ampliar minhas leituras e a conhecer muita coisa boa. Foi aí que Agatha Christie passou a não me parecer mais tão sensacional assim.

Hoje eu a tenho mais como uma autora com valor sentimental, e uma excelente indicação para quem está começando com o hábito da leitura, desde que se tenha em mente a época em que ela viveu e escreveu e que se releve algumas opiniões e visões de mundo daquela época. Agatha Christie tem sim algumas obras sensacionais como O caso dos dez negrinhos, que foi relançado recentemente com o nome E não sobrou nenhum, e O assassinato no Expresso do Oriente, mas num geral percebi um padrão nas histórias da autora. E depois de ler um bom número de obras dela, comecei a achar o desenrolar de algumas histórias previsível. Posso concluir que Agatha Christie tem muitos livros bons, mas apenas bons, e só uns poucos são sensacionais.

Dentre esses livros bons, está o título E no final a morte, que segue esse padrão: uma família abastada, com uma figura de liderança forte (o pai, o avô, a matriarca, etc...) de gênio difícil que morre no decorrer da trama (ou alguém diretamente ligado a esta figura é quem morre), e mais assassinatos vão acontecendo e por aí vai... O diferencial neste título é o cenário: a história se passa no Egito.  

Panorama da obra: A história é contada sob o ponto de vista de Renisenb, que ficou viúva e volta à casa de seu pai. Lá, encontra tudo aparentemente do jeito que estava quando saiu: o pai (também viúvo e de gênio difícil, controlador tanto no que diz respeito às finanças da casa quanto com relação aos filhos e noras), os irmãos, as cunhadas e sobrinhos, os criados, cada um com suas peculiaridades e reagindo de formas diferentes à esta dominação do patriarca da família.
Aos poucos, porém, Renisenb vai percebendo a tensão no ambiente e a presença de um grande mal na casa desde a chegada da concubina do pai, que não é aceita pela família. Nofret é muito mais jovem que ele e todos acreditam que ela quer roubar as riquezas da família. O pai em contrapartida diz que nada pertence à família, mas somente a ele que conquistou sozinho tudo o que possui, e que prefere gastar com uma companheira a ter prejuízos com inúteis como seus filhos e noras. Nofret é vista praticamente como uma maldição que se abateu sobre a casa. A partir daí o clima de tensão só vai piorando, até culminar na morte da concubina. No decorrer da trama se desenrola uma série de intrigas até que se descobre quem cometeu este assassinato. Em paralelo a isso, a protagonista desenvolve uma reflexão interessante sobre o amor romântico.

Minhas impressões: Gostei do livro principalmente pela protagonista que é bem cativante, pelo amadurecimento dela com relação ao luto pela perda do marido e pelas reflexões a respeito do amor, que combinam muito com a minha visão pessoal deste assunto. Quanto à trama em si, segue a mesma fórmula descrita anteriormente, mas não achei previsível, o que foi muito positivo para a leitura. Outro ponto interessante foi o clima de pressão construído pela autora, que incomoda durante a leitura e fez com que eu desejasse a morte de alguns personagens. Não gostei, porém, das explicações dadas para algumas mortes. Ficou impossível imaginar que o assassino teria sucesso.

AVALIAÇÃO:


Registros pessoais (SPOILER!): Renisenb, após a morte do marido, volta para a casa do pai que é sacerdote do deus Rá. Ela encontra tudo como estava antes de partir: o pai, dominador e controlador das finanças e dos filhos e noras (que dependem de suas riquezas e são constantemente humilhados por isso), o irmão Yahmose que se submete às humilhações do pai e da esposa, o irmão Sobek que vive em pé de guerra com o pai e sempre ambicionando riquezas e poder, a avó que é sábia e pressente o mau que está para acontecer e o irmão mais novo, o preferido do pai. Além dos familiares existe o criado Hori, que trabalha diretamente com o patriarca desde que Renisenb era criança, que consertava seus brinquedos e que conversa com ela sobre a vida e sobre a família. Junto com Nofret, chega à região o músico Kameni, que desperta uma paixão em Renisenb. A protagonista fica dividida entre a paixão por Kameni e a admiração por Hori.
A protagonista vai percebendo que há um grande mal no ambiente da casa, e julga ser resultado da chegada de Nofret, a concubina do pai, muito mais jovem que ele e odiada por todos os familiares. A tensão aumenta na casa e intrigas começam a ocorrer até que Nofret "cai" de cima de um monte, que fica nas propriedades da família, e morre. A princípio, todos preferem acreditar que ela caiu. Porém, mais familiares vão sendo assassinados, o que torna o ambiente ainda mais tenso.
Ao final da trama, descobre-se que Yahmose era o assassino. Dominado pelo ódio, cansou-se de ser humilhado e dominado, virando-se contra sua família, para ficar com a propriedade e as riquezas para si. Ele mata a concubina, a esposa, a avó, um servo, os dois irmãos e a criada da casa. Tenta também atentar contra Renisenb, mas ela é salva por Hori.
Hori declara seu amor por ela, pedindo que faça uma escolha entre ele e o músico Kameni.
Kameni e Nofret tiveram um relacionamento, mas que este foi passageiro. O músico também havia se  declarado, porém ela escolhe ficar com Hori e construir o seu amor por ele. 
A escolha da protagonista me agradou muito, por ter escolhido o "amor amigo" de Hori em vez da paixão e desejo pelo músico Kameni. Penso que a paixão acaba, mas o amor é eterno, e portanto, o desfecho da história do casal me agradou muito.
Não gostei da explicação para a morte da esposa de Yahmose e do pequeno criado da família. A esposa dele era uma víbora, a que mais desejava o sumiço da concubina. Seria mais inteligente se ela tivesse se aliado ao marido e sido morta por ele mais perto do fim da história. Quanto ao menino, dentro da situação em que Yahmose o usa para matar mais um familiar, o garoto não se dá conta do que está fazendo e seria muito menos suspeito ele permanecer vivo.



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